quarta-feira, 2 de junho de 2010

Crónicas da realidade num espaço irreal


Foto de Alberto Pérez
Tratando-se a internet dum espaço irreal, ou, pelo menos, dum espaço não palpável, poder-se-ia pensar que a sua realidade nunca se cruzaria com a realidade da vida real.
No entanto a verdade é que, cada vez mais, são duas realidades que se cruzam muitas das vezes sem que os intervenientes tenham essa percepção. É um e-mail de trabalho que se envia para ali, é um amigo ou amiga que se reencontra por culpa das redes sociais, é um blogue que se visita e que, rapidamente, se torna local de peregrinação, é um texto que se coloca e que é mal interpretado por alguns e que leva a uma troca de palavras menos agradáveis. São amizades reais que nascem por força do convívio virtual num espaço irreal e outras que se perdem por se descobrir que aquela pessoa que julgávamos conhecer desde sempre, e de quem até gostávamos, não é quem pensávamos.
Cabem, neste espaço da internet, irreal ou virtual, histórias de todos os géneros, para todos os feitios e com todos os fins. Uns mais felizes que outros, alguns divertidos, outros mais sérios, este aqui com consequências más, aquele dali foi o melhor que podia ter acontecido.
E é engraçado, ou não, perceber que esta realidade já chegou até as mais altas esferas sociais!
Em suma, a realidade da internet não é nada mais, nada menos que uma transposição do que se passa na vida real.
O problema é que, muitas vezes, por se estar a coberto dum nickname e sem que nos vejam, baixa-se a guarda e tem-se atitudes que não se teriam em situações normais. Reside, neste factor, uma boa parte da culpa dos problemas que são conhecidos. Ninguém, no seu perfeito juízo, começa a dar os seus dados pessoais a alguém que tenha conhecido no café da esquina ou os afixa num placard do supermercado. Então o que leva a que dêem esses mesmos dados em salas de chat ou em sites?
É preciso reflectir sobre o que se disponibiliza na internet. Temos, neste espaço irreal, de respeitar a nossa própria privacidade como o faríamos num qualquer espaço real, com pessoas de carne e osso em vez de avatares ou nicknames.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Hoje não quero pensar...

Foto de G Steve

Hoje não quero pensar nas crianças violentadas, física e psicologicamente, por adultos sem escrúpulos que se servem das mais diversas artimanhas para o fazer, tirando-lhes o direito à infância.
Hoje não quero pensar em quem sofre, todos os dias, as amarguras de não saber onde dormir na noite seguinte ou qual será a próxima refeição.
Hoje não quero pensar na crise, na falta de emprego e nas dificuldades que muitas famílias estão a passar, por culpa de poucos que (des)governam o nosso e outros países.
Hoje não quero pensar em xenofobia ou racismo.
Hoje não quero pensar no egoísmo que grassa por ai, na cultura do umbigo, no falem mais de mim do que nos outros.
Hoje não quero pensar na falsidade, na hipocrisia, no fingimento, na falta de respeito pelo outro.
Hoje não quero pensar nos pais, filhos e avós que se separam quando alguém morre e a herança (nem que seja apenas sentimental) fala mais alto que o amor familiar.
Hoje não quero pensar na falta de profissionalismo, nas pessoas que não assumem os seus próprios erros e que sacodem a culpa para cima dos outros.
Hoje não quero pensar na infelicidade que alastra por esse mundo fora.
Hoje, como ontem, e seguramente como amanhã, quero apenas pensar em contrariar esta sociedade que, aos poucos, está a perder a sua humanidade. Vivemos numa sociedade onde os comportamentos acima, aqueles em que eu não quero pensar, se estão a tornar predominantes. Onde começa a ser corriqueiro violar uma criança, onde há cada vez mais indigentes, onde os políticos se governam primeiro a eles e só depois o país. Onde uma pessoa com quarenta e poucos anos é despedida por ser velha, onde a justiça demora a ser aplicada (quando é). Os egoístas, hipócritas, xenófobos e racistas mostram-se, sem pudor porque sabem que, mesmo que sejam apanhados, haverá alguém que os defenda. E, principalmente, porque sabem que haverá sempre uma boa oportunidade de saírem ilesos desse percalço! Famílias que só são unidas enquanto não há problemas, onde se esquece que, gostar de alguém não é concordar com tudo o que ela diz ou faz.
Hoje só quero pensar em ser feliz. É o meu pequeno egoísmo. Ser feliz. Como sou. Porque só sendo feliz poderei continuar a ser quem sou e como sou. E isso não há quem me tire!
Hoje não quero pensar em perder o que de melhor possa ter! Não! Não quero pensar, hoje, amanhã e sempre!

sábado, 29 de maio de 2010

Morre lentamente

foto de Andrey Mikhaylov


Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vida na Internet no Barreiro


Caros amigos e amigas

Depois das apresentações em Lisboa e Porto, chegou a vez da “Vida na Internet” ser apresentada na cidade onde nasci e onde sempre vivi.


Conto com a vossa presença.

Convite

A autora, Magda Luna Pais, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Vida na Internet” a ter lugar no Auditório do Convento da Madre Deus Verderena, sito na Rua do Convento, Alto Seixalinho, no Barreiro, no próximo dia 19 de Fevereiro, pelas 20h. Obra e autora serão apresentadas pelo jornalista António Sousa Pereira, director do jornal digital “Rostos on-Line”.


Sinopse

“Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.


Biografia

Magda Luna Pais nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site http://www.luso-poemas.net/ que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com/, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.

Tem também o blog http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/ onde apenas publica textos da sua autoria.


Página da autora na editora

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Felicidade Interna Bruta

Estava a ler o jornal no outro dia e encontrei, por acaso, uma notícia sobre a Felicidade Interna Bruta.
Em determinada altura leram-me as mãos e disseram-me que, pelas linhas das mãos, eu devia ser uma pessoa feliz. E o curioso é que é verdade, é assim que me considero, uma pessoa feliz. Mas nunca tinha pensado qual seria o meu nível de Felicidade Interna Bruta e nem sequer conhecia o conceito.
Se o conceito foi fácil de encontrar, descobrir qual o escalão de felicidade em que me encontro não foi assim tão simples. É que a felicidade não é mensurável, ou, pelo menos, não é comparável. O que para mim pode ser um factor de incremento da felicidade, para outros poderá não o ser, o que, no fim, baralha a análise.
Se assim é, então porque é que me considero uma pessoa feliz? Bem, primeiro porque sou optimista. E os optimistas têm uma forte tendência para serem mais felizes que os pessimistas. É a velha história do copo meio vazio ou meio cheio. Se olharmos para o copo e pensarmos – já está meio vazio – associamos ao fim da bebida. Se olharmos e pensarmos – ainda tenho metade para beber – estamos a aproveitar, ao máximo, o que nos resta para beber. Parece-me óbvio. Poderia estar aqui umas quantas horas a dar exemplos de como a forma de olharmos para os acontecimentos influencia a maneira como os vivemos.
De um autor que desconheço, li, há uns dias, uma frase interessante sobre este mesmo tema – Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Lá está, a forma como olhamos as coisas condiciona-nos.
Outro exemplo do que acabei de dizer apareceu hoje nas notícias. Em Washington está a cair um dos maiores nevões dos últimos 90 anos, sendo que a altura de neve está a aumentar cerca de 5 cm por hora. Apareceram várias pessoas a queixar-se, da neve, de terem de ficar fechados em casa e sabe-se lá mais do quê. Um senhor, de meia-idade, disse apenas, com um grande sorriso, “estamos a assistir à História”.
Além de optimista, gosto de me rir. Primeiro de mim. Sempre que faço algum disparate, ou me acontece alguma coisa ridícula, sou a primeira a rir-me de mim e a contar aos outros para que se possam rir também. Só assim me sinto com legitimidade para me rir dos outros. E rir sabe tão bem!!! Parece um cliché mas é verdade. Faz menos rugas que estar sorumbático, e contagia mais depressa quem está perto de nós.
Importa também concentrarmo-nos no que temos de bom na vida. E acreditem, há sempre alguma de coisa de bom. Se pensarmos primeiro nas coisas boas e depois nas coisas más, elas, as más, vão-nos parecer menos significativas que as boas. É às boas que devemos dar importância e é com elas, as coisas boas da vida, que nos devemos deitar todos os dias. Se assim for, de certeza que, no dia a seguir, acordamos com as coisas boas na memória e com as más relegadas para terceiro ou quarto plano.
Não querendo parecer egoísta, é também importante que eu me sinta bem, que faça o que gosto e que me preocupe em atingir os objectivos a que me propôs (seja em que campo for). Se assim for, sentir-me-ei melhor do que se estiver a fazer algo que não queira ou não goste.
Sem querer fazer um tratado de auto ajuda, ou coisa que o valha, estas são as minhas formas de aumentar a minha Felicidade Interna Bruta. Cabe, a cada um de vós, descobrir qual a forma que deve usar, sendo certo que o importante é ser feliz. Como dizia o saudoso Raul Solnado “façam o favor de ser felizes”



Felicidade Interna Bruta (FIB) ou Gross National Happiness (GNH) é um conceito de desenvolvimento social criado em contrapartida ao Produto Interno Bruto (PIB).
O termo foi criado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente. Esta criação assinalou o seu compromisso de construir uma economia adaptada à cultura do país, baseada nos valores espirituais budistas. Tal como vários outros valores morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta é mais facilmente entendido a partir de comparações e exemplos do que definido especificamente.
Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objectivo primordial o crescimento económico, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos, complementando-se e reforçando-se mutuamente. Os quatro pilares da FIB são a promoção de um desenvolvimento socioeconómico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção dos valores culturais, a conservação do meio ambiente natural e o estabelecimento de uma boa governação. (retirado da Wikipédia)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vida na Internet e Traços do Destino no Porto


As autoras, Magda Luna Pais e Vera Sousa Silva, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação dos livros “Vida na Internet” e “Traços do Destino” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 30 de Janeiro, pelas 16:00.

Obras e autoras serão apresentadas pelo Dr. Ivo Dias Sousa e pelo escritor José Ilídio Torres, respectivamente.

Vida na Internet
(Ensaio)

Sinopse: “Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.

Traços do Destino
(Contos)

Sinopse: Vera Sousa e Silva relata-nos, em linguagem fácil mas profundamente humana, as emoções com que constrói cada uma das suas personagens e lhes empresta um cunho de autenticidade. (do Prefácio, por Vítor Cintra)

Sobre as Autoras:

Magda Luna Pais/Pedra Filosofal nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site www.luso-poemas.net que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.

Vera Sousa Silva nasceu em Lisboa, a 27 de Janeiro de 1974. Em 2007 lançou o seu primeiro livro de poesia "Pétalas Soltas" pela Corpos Editora e, em Fevereiro de 2009, "Amar-te em Silêncio", pela Edium Editores. Em 2007 participou na antologia de poesia do site Luso-Poemas no género poesia e, em 2008, com prosa poética. Escreve com assiduidade no seu blog (www.prosas-e-versos .blogspot.com) e no site de poesia: www.luso-poemas.net. No mesmo site participou em alguns concursos, vencendo em Dezembro de 2006 o Concurso “Poema de Natal” e em Junho de 2008 o “Concurso do Vinho”, ambos na vertente de poesia, o que, desde 2006, lhe valeu o direito a condição de Membro de Honra.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 13 de dezembro de 2009

Agradecimentos

(Ivo, Magda, Paulo)

Começo esta minha intervenção por vos agradecer a todos por estarem aqui presentes.
Este é um dia especial para mim, dia que realizo um sonho que nunca tive. Passo a explicar…
Nunca foi minha pretensão editar um livro. Na verdade, até há cerca de dois anos, nem sequer pensava em escrever ou publicar textos meus, fosse em blogues ou onde fosse. Acompanhava alguns blogues, lia aqui e ali textos que me interessavam e lá deixava a minha opinião, quando me apetecia.
Estão aqui hoje, neste auditório, algumas das pessoas que me levaram a dar os primeiros passos nesse sentido. A Vera Sousa Silva foi talvez das primeiras pessoas a fazê-lo, quando me disse, numa livraria aqui bem perto, que gostava de ler os comentários que eu deixava nos textos publicados no site luso-poemas e que tentava lê-los a todos, tendo terminado a perguntar-me porque é que não tentava escrever um texto independente. Lembro-me, na altura, de pensar que esta conversa não fazia sentido algum, porque, ao contrário da Vera, eu não escrevia.
Hoje, dois anos mais tarde, a Vera continua a ser quem mais força faz para que eu continue a escrever, apoiando-me incondicionalmente e corrigindo os meus textos. Vera, soa a muito pouco dizer-te obrigado, quer pela amizade que nos une, quer por tudo quanto fazes.
Aqui ao meu lado, está sentado o Paulo Afonso Ramos. Antes de ser editor, é, e será sempre, um amigo. Um amigo daqueles com quem se conta desde a primeira hora. Também ele é um dos responsáveis pelo iniciar, do meu percurso literário (se é que se pode chamar assim), cabendo-lhe a árdua tarefa de, em conjunto com a Vera, fazer a correcção dos meus textos e de me incentivar a escrever. Obrigado Paulo porque, sem ti, não estaria sentada nesta mesa como autora.
Para poder estar aqui hoje, neste lugar, há muita gente a quem devia agradecer. Pessoas que acreditaram, antes de mim, que ainda tenho dúvidas, nas minhas capacidades para a escrita e que me diziam que, um dia, ainda haveria de editar um livro. É quase impossível nomear toda a gente, por isso que me perdoem aqueles que não mencionar.
Quero ainda agradecer ao António e à Manuela. Primeiro porque, num domingo qualquer, há onze anos atrás, estiveram uma tarde na minha casa a instalar o modem de acesso à Internet no meu computador, bem como alguns programitas. Dei, nesse dia, os meus primeiros passos nesse mundo maravilhoso que serve de base ao meu livro. Foram também eles que me deram o apoio imprescindível para que este livro saísse das minhas mãos com o que eu entendia ser fundamental. Ajudaram-me na minha pesquisa e corrigiram-me sempre que foi oportuno.
A internet é um mundo maravilhoso do qual, hoje em dia, quase todos usufruem. Em 1998 ainda não era assim. Foi nesse ano que, através da internet e dum programa chamado ICQ, conheci o autor da foto da capa, Miguel Pais. Obrigado marido pela tua paciência e por teres conseguido fazer a capa perfeita. Só a foto da capa, para mim, já vale o livro todo. O Miguel é, comigo, co-autor de duas crianças lindas, a Margarida e o Martim, que estão aqui hoje e a quem mando um beijo especial.
O mundo gigantesco da Internet não pára de surpreender. Umas vezes de forma negativa (e lembro-me aqui, por exemplo, de que foi por e-mail que soube da morte dum amigo, real e virtual, que tinha conhecido através do ICQ, o Paulo Pires, que, acredito, gostaria de estar aqui hoje) e outras vezes de forma positiva. Isto para vos dizer que foi também através da internet, e por um feliz acaso, que conheci o Ivo, que apresentou, de forma magistral, o meu livro. Logo que o conheci, pedi-lhe que fizesse esta apresentação porque, tal como o João Sortudo, também eu acredito que, "quando um coelho está numa encruzilhada deve procurar a opinião de outros coelhos com mais experiência e sucesso no assunto em causa”. Foi o que fiz. Deixem-me aqui abrir um parêntesis para vos explicar que o João Sortudo é um coelho e que é a personagem principal do último livro do Ivo – Um Coelho Cheio de Sorte – cuja leitura recomendo vivamente. Obrigado Ivo.
Ao Pedro Batista, também conhecido por Xavier Zarco, amigo e editor, apesar de ausente, tenho também de lhe agradecer por ter acreditado neste projecto e por não o ter deixado cair no esquecimento. Obrigado Pedro porque, sem ti, não estaria aqui sentada nesta mesa, como autora. Implicitamente, e ao agradecer aos dois editores, o Paulo e o Pedro, estou também a agradecer à Temas Originais. Uma editora nova mas que se tem estado a afirmar no panorama editorial português. Passo a passo, dando oportunidade aos autores de realizarem o seu sonho, vai espalhando, por livrarias em quase todo o país, o resultado desses sonhos. São livros excelentes, a maioria em poesia, mas que também conta, no seu catálogo, com outras vertentes literárias.
Toda a minha família, avós, pais, tios, irmãs, soube sempre da minha paixão pela leitura, que nasceu ainda muito nova, quando frequentava a primária. Tenho de lhes agradecer terem incentivado essa minha paixão, porque, se hoje escrevo é porque também leio. Já agora, e porque falo na família, agradeço também às minhas irmãs, Mónica e Marta, e à minha tia Lucília pelo cocktail de hoje. Ainda na vertente familiar, faço aqui uma menção especial a duas pessoas que já não se encontram entre nós. O meu cunhado André que ainda soube que este livro ia nascer mas que, infelizmente, faleceu antes de o poder ver, e o meu avô Manuel, falecido há sete anos, e cuja história de amor, com a minha avó, serviu de mote ao primeiro texto que escrevi – Momento Oportuno. Sei que ambos ficariam satisfeitos de aqui estarem hoje. Sei que eu gostaria que aqui estivessem.
Este livro, como facilmente percebem pelo título, é sobre um pouco de mim e de nós, os que desfrutamos desta mais-valia conhecida como Internet. “Vida na Internet” nasceu dum desafio. Porque não passar a escrito as minhas experiências enquanto internauta e visitante assídua de blogues e sites. Aceitei fazê-lo mas quis que, além da minha visão enquanto utilizadora, o livro tivesse informações que permitissem, a quem se sente quase infoexcluido, perceber do que se fala, quando se recorre a termos como posts, sites, blogues, etc.
Tentei também abordar temas polémicos, quer na Internet, quer no chamado mundo real, como o plágio e o sexo, assim como temas mais consensuais, como os blogues e o mundo que os rodeia.
O meu objectivo foi tentar juntar as informações úteis que já referi, com algumas histórias vividas por mim e por amigos meus, enquanto internautas, na esperança de conseguir cativar o leitor para que leia esta “Vida na Internet” com entusiasmo e que encare a utilização da internet como um factor positivo.
Sinceramente, diverti-me enquanto o escrevia. Espero que também se divirtam a ler.

Este foi o meu discurso de ontem, dia em que lancei o meu primeiro livro. Aproveito a oportunidade, aqui e agora, de agradecer também a alguns luso-poetas.
Ao José Torres, porque sempre acreditou que eu sabia escrever, mesmo antes de eu o fazer. Insistiu tantas vezes para que o fizesse de uma forma criativa e não para comentar os textos dos outros e transcrever lendas antigas, que acabei por o fazer.
À Fly, ao António MR Martins e à Luísa Martins, porque sempre acreditaram que eu iria editar um livro, antes mesmo de eu própria acreditar.
À Rosa Maria Anselmo, Sandra Fonseca e Amora por me incentivarem a escrever.
E a todos os que me lêem, obrigado por o fazerem.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Vida na Internet

Foto de Miguel Pais


(...) Há vida na internet. Muito mais que a virtualidade do que se lá passa, há mesmo vida. Tudo foi concebido e pensado para nós, utilizadores, mas com imenso trabalho e dedicação, e, se hoje nos basta clicar num simples botãozinho para termos acesso ao mundo, falar com amigos reais ou virtuais, foi porque alguém passou de um sonho a uma realidade. Muitos dos que têm hoje blogues e partilham as suas artes em sites, bem o podem agradecer a Homens que idealizaram este mundo virtual. (...)
Vera Sousa Silva
(...) Encontramos, neste livro, diferentes realidades, abordadas pela autora, quer pela sua experiência pessoal, quer por experiências de terceiros, histórias diferenciadas e outras formas que o ser humano conquista para crescimento do seu ego, tentando passar a mensagem do risco deste mundo, correndo, ela própria, o risco de passar uma mensagem que pudesse ser lida de forma errada, ao escrever sobre um mundo gigantesco, como é o da Internet. (...)
Paulo Afonso Ramos

“Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.
Sinopse

A autora, Magda Luna Pais/Pedra Filosofal, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Vida na Internet” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 12 de Dezembro, pelas 19h. Obra e autora serão apresentados pelo Dr Ivo Dias de Sousa. A sessão contará ainda com momentos musicais por Sandra Rodrigues.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Deficiências

Foto de Rarindra Prakarsa


Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético é quem não consegue ser doce.
Anão é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, porque
A amizade é um amor que nunca morre.
Mário Quintana