domingo, 6 de Dezembro de 2009

Vida na Internet

Foto de Miguel Pais


(...) Há vida na internet. Muito mais que a virtualidade do que se lá passa, há mesmo vida. Tudo foi concebido e pensado para nós, utilizadores, mas com imenso trabalho e dedicação, e, se hoje nos basta clicar num simples botãozinho para termos acesso ao mundo, falar com amigos reais ou virtuais, foi porque alguém passou de um sonho a uma realidade. Muitos dos que têm hoje blogues e partilham as suas artes em sites, bem o podem agradecer a Homens que idealizaram este mundo virtual. (...)
Vera Sousa Silva
(...) Encontramos, neste livro, diferentes realidades, abordadas pela autora, quer pela sua experiência pessoal, quer por experiências de terceiros, histórias diferenciadas e outras formas que o ser humano conquista para crescimento do seu ego, tentando passar a mensagem do risco deste mundo, correndo, ela própria, o risco de passar uma mensagem que pudesse ser lida de forma errada, ao escrever sobre um mundo gigantesco, como é o da Internet. (...)
Paulo Afonso Ramos

“Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.
Sinopse

A autora, Magda Luna Pais/Pedra Filosofal, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Vida na Internet” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo dia 12 de Dezembro, pelas 19h. Obra e autora serão apresentados pelo Dr Ivo Dias de Sousa. A sessão contará ainda com momentos musicais por Sandra Rodrigues.

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Deficiências

Foto de Rarindra Prakarsa


Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
Louco é quem não procura ser feliz com o que possui.
Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
Mudo é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
Paralítico é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
Diabético é quem não consegue ser doce.
Anão é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, porque
A amizade é um amor que nunca morre.
Mário Quintana

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Resquícios de uma paixão

Foto de Verisan Julian

Reparei em ti...
pela penumbra do toldo
do café da Praça Grande.
Desde logo
equacionei algo...
muito diferente
do anteriormente
perspectivado.
Idealizei-te em sonhos
de nuvens pinceladas
entre flocos de luz.
Meus olhares
se situaram
numa insistência
sem sentido...
Facto por ti
reprovado,
pelo teu afastamento...
sem mácula!
Mas eis que sorris
e as estrelas brilham
em cores de suave primavera.
Passaste lesta
pelos meandros
da minha vida.
Teu rasto
se desvaneceu,
com indiferença.
Foste passagem,
de todo,
despercebida!...
Mas ficou a lembrança
guardada no meu peito
que te reclama na saudade.


Vera Sousa Silva & António MR Martins



Os autores, António MR Martins e Vera Sousa Silva, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de lançamento dos livros “Quase do Feminino” e “Traços do Destino” a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, Lisboa, no próximo dia 28 de Novembro, pelas 16:00. Obras e autores serão apresentados por Catarina Boavida e Carlos Teixeira Luís, respectivamente.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

(in)justiça


Em Julho de 2008 Filipe interpôs, no Tribunal de Família e Menores, uma acção de alteração de regulamentação de poder paternal por achar que a sua filha, Elsa de 12 anos, a residir com a mãe, se encontrava negligenciada e em risco.
Estamos em Novembro de 2009. Passaram-se 16 meses e esta acção que, por envolver uma menor, deveria já ter tido o seu desfecho, pouco ou nada avançou desde que foi entregue.
Infelizmente basta olhar para as notícias dos jornais ou falar com alguns advogados para sabermos que este caso não é único. Quase todas as acções judiciais, envolvam menores ou não, no nosso país, demoram anos nos tribunais, avançando a um passo demasiado lento.
Como é do conhecimento geral, o tempo, para as crianças, é diferente do nosso. Razão pela qual acredito, mas corrijam-me se estiver enganada, que as acções judiciais que envolvem menores que possam estar em risco, devem ser analisadas e julgadas com a maior brevidade, de modo a se evitar que continuem em situações que ponham em causa a sua segurança, saúde e bem-estar. Só agindo de forma rápida é que se pode contribuir para que o comportamento do menor envolvido seja moldado de forma a se tornar um adulto consciente e responsável. Infelizmente, na maioria dos casos, quem pode, de alguma forma, ajudar a resolver os problemas dos menores – os tribunais - é inoperante e burocrático quando deveria ser rápido e eficaz.
Num estado de Direito como Portugal, que subscreveu a convenção sobre os direitos da criança e que se considera democrático e desenvolvido, é de lamentar que os tribunais funcionem desta forma, não ajudando os cidadãos que a eles recorrem para resolverem os problemas que lhes surgem e para as quais não encontram solução, principalmente quando estão em causa crianças e jovens que serão os adultos de amanhã.
Ouve-se falar, várias vezes, que, em Portugal se respeita o interesse superior das crianças, tal como determina a Convenção mencionada acima. Ora, eu então pergunto, onde é que o interesse superior das crianças está a ser tido em conta se os processos judiciais que as envolvem demoram anos a ser julgados? Onde é que a família está a ter a assistência necessária para promover o bem-estar da criança se os Tribunais Portugueses são inoperantes e burocráticos, não se pronunciando, em tempo útil, sobre as acções que lhe são entregues, tendo em vista zelar pelo bem-estar de menores que se acredita estarem a ser negligenciados?


* Os nomes são falsos, a situação é, infelizmente, real.


Notas técnicas:


De acordo com lei portuguesa, uma criança está em risco quando se encontra numa das seguintes situações: abandonada ou vive entregue a si própria; sofre maus-tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais; não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal; é obrigada a actividades ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento; está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional ou assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto se lhes oponha de modo adequado a remover essa situação.
A convenção sobre os direitos da criança (assinada por Portugal a 26 de Janeiro de 1990), determina que crianças são todos os seres humanos com idade inferior a 18 anos, salvo se, nos termos da lei que lhe for aplicável, atingir a maioridade mais cedo.
Considera ainda esta convenção que a família, elemento natural e fundamental da sociedade e meio natural para o crescimento e bem-estar de todos os seus membros, e em particular das crianças, deve receber a protecção e a assistência necessárias para desempenhar plenamente o seu papel na comunidade, devendo todas as decisões relativas a crianças, adoptadas por instituições públicas ou privadas de protecção social, por tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, ter, primacialmente, em conta o interesse superior da criança.
Diz ainda a Declaração dos Direitos da Criança de 1959, que Portugal, enquanto membro da ONU, também subscreveu, que todas as crianças terão direito a protecção especial e ser-lhe-ão proporcionadas oportunidades e facilidades, por lei e por outros meios, a fim de lhe facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, de forma sadia e normal e em condições de liberdade e dignidade.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Um quadro paralelo

Foto de Karolos Trivizas




Um caminho de terra batida, ente árvores gigantes, sem fim. A brisa, que empurrava o meu corpo, fazendo-me caminhar na direcção ao desconhecido. As árvores, que me cumprimentavam ao acenarem levemente. E eu, perdidamente esquecido do tempo, acumulava os passos por contar na busca do mistério desse caminho.

O sol, meu aliado, dava-me algum alento, recordo, que através da luz iluminava o meu trilho.

De nada mais recordo. Não sei como tudo começou nem de onde vim. Não sei do propósito com que iniciei, nem tão-pouco como aqui cheguei. Um caminho, é tudo o que tenho, de terra batida entre árvores gigantes, e por instantes, deixo-me cair no vazio da memória. Nada acontece. Nada. O caminho e as árvores permanecem imutáveis. E eu, um louco extravagante invento histórias para atrair a vida.


Paulo Afonso Ramos

domingo, 1 de Novembro de 2009

As Bruxas...


Sem ser supersticioso,
nem ter medo de "mésinhas"...
Talvez seja receoso!!!
De quê?...Vê lá se adivinhas?

Em "bruxas" acreditar?!!!
Se existem, eu não sei bem...
Mas prefiro evitar
os seus olhares de desdém...

É vê-las à meia-noite,
numa noite de luar...
Não há ninguém que se afoite,
para as bruxas enfrentar...

Em caldeirões, na fogueira,
fervilham as "maldições"...,
numa sopa "mixordeira",
de "unhas", "sapos" e "tritões"...

E depois de muitos gritos,
blasfemas, discussões...,
nos caldeirões vão ser fritos
"entranhas" e "corações"...

E antes do Sol raiar,
com seus chapéus de "cartuchas",
nas vassouras vão voar,
em "magotes", essas BRUXAS...

António Boavida Pinheiro

sábado, 24 de Outubro de 2009

A força das palavras

Foto de Floriana Barbu

Vens do tempo e estarás no tempo e a tua palavra estará no vento e será espalhada pela terra. A tua palavra será o fogo que transforma todas as coisas. A tua palavra estará na água e será espelho da língua. A tua palavra terá olhos e verá, terá ouvidos e ouvirá, terá tacto para mentir com a verdade e dirá verdades que parecerão mentiras. E com a tua palavra poderás regressar à quietude, ao princípio onde nada é, onde nada está, onde tudo o que foi criado regressa ao silêncio, mas a tua palavra despertá-lo-á e terás de nomear os deuses e terás de dar vozes às árvores e farás com que a natureza tenha língua e falará por ti o que é invisível e torna-se-á visível na tua palavra. E a tua língua será palavra de luz e a tua palavra, pincel de flores, palavra de cores que, com a tua voz, pintará novos códices


Laura Esquível, in A Malinche

domingo, 18 de Outubro de 2009

Retrato

Foto de Aguiar Thierry

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
Cecília Meireles

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Gaivota

Foto de Carlo Magnatti

Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Alexandre O'Neill

domingo, 4 de Outubro de 2009

A morte

Foto de Paul David Athey

A morte vem de longe
Do fundo dos céus
Vem para os meus olhos
Virá para os teus
Desce das estrelas
Das brancas estrelas
As loucas estrelas
Trânsfugas de Deus
Chega impressentida
Nunca inesperada
Ela que é na vida
A grande esperada!
A desesperada
Do amor fratricida
Dos homens, ai! dos homens
Que matam a morte
Por medo da vida.

Vinicius de Moraes