terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A ilha do amor

Foto de Scott Hoffman

Escrevo-te! Para que saibas o que nunca tive a coragem de dizer, olhos nos olhos, pela simplicidade de não aceitar o teu olhar, fosse ele qual fosse…
Sim! É o medo que me norteia! Estou amparada na pessoa que não age para não ferir ou que se deixa ir ao sabor do vento mesmo que, por isso, me obrigue qualquer consequência.
Não sei se alguma vez irás ler estas linhas em que me deleito como que numa cena de amor, e é no teu peito que imagino a frase erudita que busco na minha cabeça, estremecida, mas que ainda consegue fabricar alguns tímidos desejos… Quero-te!
Nem imaginas o que penso escrever enquanto percorro o teu árduo corpo, sim árduo, porque o imagino entre a resistência e a loucura… a um passo, apenas, de ser só meu.
Oh! Loucura. É como me chamo, é como me sinto, quando quero gritar-te… Eu Amo-te! Oh, mágica imaginação que transforma essa sensação em lágrimas constantes… Já te disse aqui que é o medo que me norteia. Mas não há medo que chegue que me impeça de sonhar!
E na coragem emprestada vou imaginar que estas frases chegaram ao seu destino e que quis o tempo trazer-me a resposta. Quero ler-te assim:
Meu amor... trouxe-me o vento os suspiros do teu desejo e as palavras que sempre ambicionei ouvir e agora posso tê-las. Soube desde o primeiro instante que tu eras o meu destino e descobri, na carícia do teu olhar, que minha alma te pertence há muito.
Sonho com um gesto teu desde o primeiro momento e aguardei, na ânsia, por uma palavra tua, que tardou em chegar. Por mais incrédulo o meu sentir, nunca consegui matar a esperança que julguei vã, e hoje, meu amor... Hoje!... Hoje tornaste o meu mundo mais feliz, porque sinto agora que estás no meu universo.
Aguardo-te na nossa praia, onde já misturei com o mar as lágrimas de saudade ao pôr-do-sol.”

Oh! Ternura. Doce brisa que afaga a minha imaginação… Oh! Loucura dos dias que passo entre o mar e a areia a olhar o teu rosto imaginado, o teu corpo esculpido no querer da minha imensidão feita de um rochedo perdido…
Tu nunca chegaste! E a tua resposta foi criada pela minha loucura, isenta de qualquer realidade. Morri na nossa praia. E o corpo perdeu-se nas areias da imprecisão.
Tu nunca chegaste… mas as ondas visitaram-me sempre, e foram elas que alimentaram a minha esperança, o meu desejo e a minha vida, perdida... nesta ilha do amor…

Dueto entre Paulo Afonso e Vera Silva
Inédito e a meu pedido.
Obrigado aos dois por terem acedido ao meu pedido. Digo-vos já que eu sabia que ia ficar tão lindo como está. Adorei.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Canção de embalar


Foto de Elizabeth Pellette
Era uma casa muito engraçada
Não tinha tecto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero.
Vinicius de Moraes.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Palavras

Foto de Wojciech Gaczek

Em cada sonho as palavras despem-se
Para te vestirem de memórias
Em cada olhar os sorrisos rasgam-se
Pela alegria de te ouvirem
Sinto a perda do silêncio...
Posso escutar
Em cada pedaço da tua alma
As histórias que me encantam…
Vou adormecer ao teu lado
Entre um poema e um conto
Num terno abraço intemporal…

Dueto com Manuela Fonseca

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Fantasmas de hoje

Foto de Vahid Zarei


Desde que o ser humano existe como espécie que a sua vivência é povoada por fantasmas.
Nos primórdios os fantasmas teriam a ver, apenas e só com a sobrevivência. A próxima refeição, o frio e como escapar aos predadores. Estas deviam ser as três preocupações fundamentais.
Com o nosso crescimento enquanto espécie, estes fantasmas foram-nos acompanhando. Mas, para além destes, surgiram novos fantasmas, novas preocupações.
Hoje em dia o ser humano é assolado com preocupações de vária ordem. Mantemos os fantasmas iniciais mas ganhámos mais. Hoje, e na maioria das culturas, não precisamos de ir à caça para arranjar a refeição seguinte. Basta irmos ao supermercado e a troco de dinheiro levamos a comida para casa (e quantas vezes já pronta a pôr na mesa). Se temos frio basta vestirmos mais um casaco, e o problema está resolvido. Infelizmente estas premissas não são válidas em todo o mundo. Ainda há pessoas a passar fome e pessoas a quem o frio mata por não terem um agasalho.
Já em relação aos predadores o problema mantêm-se. Hoje não são os animais (enquanto espécie) que nos preocupam. São outros seres humanos que se transformaram em predadores. Seres humanos que são capazes de maltratar, de violar, de matar crianças. Este é o predador que mais me assusta. Não há dia nenhum em que eu não pense que os meus filhos podem vir a ser vítima dum predador desta espécie. Longe vai o tempo em que as crianças brincavam na rua sem que os pais tivessem receio de não as voltar a ver. Um fantasma que assola a minha existência todos os dias.
Mas há mais… mais fantasmas que me visitam todos os dias. Por culpa da nossa incúria enquanto seres humanos, a nossa casa, o nosso mundo está a sofrer alterações que podem ser irreversíveis. Vejam as alterações climatéricas. Invernos mais rigorosos ou inexistentes. Neve em zonas onde nunca tal tinha acontecido. Verões quase insuportáveis. Que futuro vamos ter a nível climático? Ninguém sabe.
Estes são os fantasmas que mais me visitam. Os que me preocupam. Não creio ser a única a ter estas preocupações. Faço o que posso para acabar com eles. Era bom que todos fizessem um bocadito. Como alguém disse, cada um de nós é apenas uma gota no oceano… mas o oceano seria menor se lhe faltasse essa gota.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

É um blog muito bom, sim senhora


O meu blogue recebeu ontem o seu primeiro prémio - "É um blog muito bom, sim senhora".

Este prémio foi-me oferecido Conceição Bernardino, do blogue http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/.

Conceição... Não tenho palavras para te agradecer. Bem sabes disso. Obrigado por este miminho.


As regras são:

1 - Este prémio deve ser atribuído aos blogs que considerem serem bons, entende-se como bom os blogs que costuma visitar regularmente e onde deixa comentários;

2 - Só e somente só se recebeu o 'É um blog muito bom sim senhora", deve escrever um post incluindo: a pessoa que lhe deu o prémio com um link para o respectivo blog; a tag do prémio; as regras; e a indicação de outros 7 blogs para receberem o prémio;

3 - Deve exibir orgulhosamente a tag do prémio no seu blog, de preferência com um link para o post em que fala dele;


Além de atribuir o prémio aos sete blogues que indico a seguir, recomendo que os leiam com atenção. Porque são de pessoas espectaculares, que escrevem com a alma, que sentem o que escrevem, mesmo quando não escrevem o que sentem.

Merecem muito este prémio.

Quero desde já esclarecer que, se pudesse, estariam mais incluídos... Mas só podia escolher sete...

Aqui estão eles por ordem alfabética dos autores:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Aprendizagem

Foto de Botikario 2006


Hoje trago-vos duas frases que se completam, acerca da aprendizagem

Para Juan Luis Lorda "Quem ama a verdade, procura formar a consciência: conhecer os princípios morais, pedir conselho a pessoas rectas e com experiência; não considerando humilhante que nos corrijam. De facto, os outros observam-nos de fora e com mais objectividade do que nós mesmos. Também é preciso tirar experiência dos próprios actos, examinar-nos com frequência (diariamente) e corrigir os erros. É preciso ser humilde para reconhecer os erros e rectificar, mas isso dar-nos-á também uma grande sabedoria, e capacidade de ajudar os outros também.”

António Paiva completa dizendo que "Foi isto que me ensinaram: difícil não é errar, isso todos sabemos fazer com maior ou menor perícia; difícil é ter consciência do erro e suas consequências e transformá-lo em aprendizagem porque a isso se chama viver! - Obrigado A.C."

O António, quer pela forma como escreve quer pela pessoa que é, teve direito a um crachá especial. É também um dos autores que mais admiro. Do nada ele escreve verdadeiros tratados literários com os quais tenta ensinar-nos mais alguma coisa.
Além da forma como escreve e da qual sou fã incondicional, o António tem outro mérito. Já editou 3 livros e dos 3 abdicou de cerca de 90% dos direitos de autor a favor de diversas instituições de solidariedade social, como podem ver no blogue
http://dos-meuslivros.blogspot.com/
Se visitarem o blogue
http://coisas-do-burro.blogspot.com/ vão ficar a conhecer o António e a sua escrita.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Amigos

Foto de Oliver Weber

Amigos são como músicas.
Eles entram na nossa vida
E deixam sinais.
Como a sonoridade do
vento ao final da tarde.
Como os ataques de guitarras
e metais presentes em
cada clarão da manhã.
Amigo é a pessoa que está
ao teu lado e que vais
descobrir,
olhando no disco do olhar.
Procura escutar:
Amigos foram compostos
para serem ouvidos,
sentidos, compreendidos,
interpretados
Para tocarem as nossas vidas
com a mesma força do
instante em que foram criadas,
para tocarem as suas
próprias vidas com toda essa
magia de serem músicas.
E de poderem alcançar todos os voos,
de poderem cumprir todas as notas,
de poderem cumprir, afinal,
o sentido que lhes
foi dado pelo compositor.
Amigos são pessoas como TU.
Amigos têm que fazer sucesso...
Mesmo que não estejam nas paradas;
Mesmo que não toquem no rádio
o importante é que toquem o coração…

Este poema é da Laura Gil. Conhecemo-nos por causa do lançamento do livro "Mar de Sonhos", porque ambas estavamos a ajudar o Luis na organização, e ele achou por bem nos apresentar. Em boa altura o fez, porque a amizade nasceu entre nós nesse dia e continua de vento em poupa. De tal modo que, muitas vezes, nem nos lembramos que só nos conhecemos há meia dúzia de meses.
Além de escrever a Laura também pinta. E eu queria por aqui uma foto dum quadro dela. Só que queria que isso fosse surpresa. Resultado... não pude colocar a foto. Prometo que, em breve, vos trago uma foto dum quadro pintado por ela.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Dedicatória

Foto de Jean-Paul Nacivet

Nasceu o sol, nasceu a lua e eu continuo dividida. Amo o sol, amo a lua. O sol dá-me calor, a lua faz-me sonhar. E penso e repenso se o calor é mais forte, se o sonho é mais belo. E resta-me o consolo de ambos me fazerem sentir que valeu a pena ter existido, porque assim me é permitido amar o sol, amar a lua com a mesma paixão, a mesma razão.
Sou o ser mais especial do universo. Sou a mãe do sol, sou a mãe da lua.
A ti Bruno, a ti Renata.
E segredou-me então o universo: - Eu sei que és a mãe do sol, a mãe da lua, por isso te dou uma prenda feita na minha mágica oficina. Queres aceitar?Quero, respondi pronta e curiosa. - Aqui está, feita à tua medida, fui aos teus sonos e recreei o teu imaginário, terno, lutador, amigo, companheiro. Será teu na condição de o cuidares para todo o sempre. Não quebres a magia desta dádiva. - Não, retorqui com determinação. E aceitei esta oferta, transportei-a ao meu passado, converti-a no meu presente e quero que seja o meu futuro. Posso ser a mãe do sol, a mãe da lua, mas este presente que me foi dado pelo universo é o pai do sol é o pai da lua.
A ti Fernando.

Esta dedicatória foi escrita pela Rosa Maria Anselmo quando editou o seu livro.
A Rosinha é uma grande amiga. Uma belíssima escritora. Conhecíamo-nos de vista no luso-poemas e, num fim-de-semana conturbado a nossa amizade começou a ganhar raízes.
A escolha deste texto tem muito a ver com as nossas conversas. O Bruno e a Renata são tão diferentes um do outro como os meus dois filhos. Não os conheço mas pela maneira como a Rosinha fala deles já sinto carinho por eles.
Quanto ao Fernando conheci-o no mesmo dia que conheci a Rosa pessoalmente. E foi num dia em que descobrimos, todos, que o Fernando até sabe declamar poemas. Foi uma surpresa para todos...
Conheçam mais da Rosa no blogue
http://ocantodarosa.blogspot.com

sábado, 2 de fevereiro de 2008

A ilha

Foto de Rodislav Driben

Um veleiro deitara-se ao mar
Numa onda de desejo
Em busca de uma ilha
Envolta em névoa e tabu
A lua estava branca e vaidosa
Olhando-se nua nas águas do mar
O teu rosto como um templo
De olhos deitados a oriente
Para além do desvendar do olhar
Tonto de poesia
Nos teus olhos junto amarelo e azul
E fica o verde do mar
Neles correm fogos fátuos
Brilhantes, carentes, por vezes maus
As palavras são tingidas de cor
Feitas luar e fantasia
Pinceladas de paixão
Em busca de uma ilha
Envolta em névoa e tabu

Este poema é da Joana Miranda. Conheci a Joana há uns anos atrás e sempre nos demos bem. Passados uns tempos tive a grata surpresa de ser convidada para o lançamento do seu primeiro livro "A outra metade da laranja". Um belo livro que já li e reli. Depois desse já sairam mais, sendo que o último é "A mulher de mármore". Conhecia a Joana romancista, hoje apresento-vos a Joana poeta.
Acreditem, vale a pena conhecer os livros e a Joana. Visitem o website dela em http://www.210367902.artelecom.pt/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Viagem pelo meu mundo...

Foto de Maurik Holtrop

Viajei pelo meu mundo numa tentativa de descobrir quais as razões que me levam a ser quem sou.
Descobri algumas razões fundamentais. A família, claro. Muito importante e da qual falarei um dia destes. E os amigos. Aqueles amigos que são verdadeiros, amigos pelos quais eu faria e faço qualquer coisa. Aqueles amigos que eu sei que, se precisar, fazem qualquer coisa por mim.
Mas não são apenas amigos. São amigos com determinadas características.
Começo por dizer que nunca gostei de bajular e muito menos os amigos, dizer-lhes apenas aquilo que querem ouvir. Se não gosto, se não concordo digo. Porque eles merecem saber a minha opinião, seja lá ela qual for.
Elogios, criticas construtivas, avisos, alertas. Tudo é permitido numa amizade. Numa verdadeira amizade.
Com os meus amigos, aqueles que importam e que se importam, eu sei que posso dizer o que acho e que não vou ser mal interpretada porque eles sabem que o digo apenas porque quero o bem deles. Assim como eles o meu.
Não quero com isto dizer que lhes imponho a minha vontade. Não. Simplesmente lhes digo o que acho. Depois de dar a minha opinião não os tento converter ao que eu acho. Ao invés, tentamos chegar a um acordo. Nem que seja para acordar que discordamos.
A partir do momento em que a decisão está tomada, seja ela qual for eu apoio. Mesmo que não concorde. Mesmo que ache que vai correr mal, que é uma asneira. Eu apoio como se concordasse e nunca direi eu bem te avisei. Se correr mal, estarei, ao lado, a ajudar a que volte ao lugar, com soluções.
Mas, para que funcione, tem de ser nos dois sentidos. Não quero amigos que me digam sempre que estou certa, que concordam sempre com tudo o que faço. Porque sou humana, porque erro, porque me engano. Preciso de ter alguém que me indique os erros que posso vir a cometer se fizer determinadas coisas. E conto com os meus amigos para o fazerem.
Desiludam-se quem acha que amizades assim não existem. Existem sim. Eu tenho amigos assim. Felizmente. Amigos com quem partilho alegrias e tristezas, que sabem o que eu penso antes de eu dizer, que me criticam, que me corrigem, a quem eu corrijo, que sei o que vão fazer antes de me dizerem, que partilham comigo as alegrias e as tristezas. Tenho amizades assim que duram há anos, há mais tempo do que eu me lembro. E tenho amizades que surgiram há bem pouco tempo que são assim.
Outra coisa que estes amigos sabem e que estão habituados é que eu lhes diga que gosto deles. Não custa nada. A mim sabe bem dizer. A eles sabe bem ouvir. Principalmente porque, quando lhes digo, não é da boca para fora, é sentido. É o meu coração a falar-lhes. Não preciso que respondam. Nem que me digam o mesmo. Basta-me saber que, quando o ouvem ou quando o lêem, que sorriem e que sabem que gosto mesmo deles.
Este é o meu mundo. No meu mundo a amizade importa, os amigos são recebidos, todos os dias com o meu sorriso e todos eles me fazem falta. Muita.

Este texto é dedicado a todos os meus amigos que me acompanham sempre. Que, longe ou perto, recentes ou antigos, me fazem falta. Como o ar que respiro, como o pão para a boca. A minha vida não faz sentido sem vocês. Não preciso de vos enumerar. Vocês sabem quem são. E sabem o quanto são importantes. Sabem que faço tudo por vós. Sei que o fariam por mim.
Dedico-o também a alguns amigos com os quais fui perdendo o contacto. Por culpa de nada, por culpa deles ou por culpa minha. Cada um deles continua a fazer falta e continuo a lembrá-los.