sexta-feira, 25 de junho de 2010

Missa de oitavo dia


Está interiorizado, na mente de quase todos (ou, pelo menos, dos católicos) que se deve, após a morte dum ente querido, celebrar a missa de sétimo dia. Talvez porque ao sétimo dia, Deus descansou e se entende que o defunto também está, finalmente, a entrar no seu período de descanso.
Sou católica mas confesso que não entendo a necessidade desta missa. Aliás, como não entendo muitas das cerimónias feitas em redor da morte, onde, muitas vezes, se usa, e abusa, dos sentimentos dos familiares para se ganhar dinheiro (e muito dinheiro mesmo).
Porque a morte nunca me fez confusão, e porque a aceito a com a naturalidade com que se aceita tudo o que é inevitável, resolvi, hoje, celebrar uma missa diferente. E porque nem sempre a missa do sétimo dia é celebrada no dia devido, hoje vou celebrar a missa do oitavo dia do meu avô.
O meu avô faleceu há pouco mais de sete anos. Tive, na véspera da sua morte, a oportunidade de lhe dizer o quanto o amava. Não há dia nenhum que não me lembre dele e que não sinta uma saudade enorme. Dele, do seu assobio inconfundível, das torradas que só ele sabia fazer e das conversas que tínhamos.
Avô, onde quer que estejas, sei que estás feliz por veres que, tal como me pediste, tenho cuidado da tua bisneta mais velha, tal como tenho cuidado do bisneto que sabias que ia nascer e me disseste logo que já não o irias conhecer. De certeza que também estás feliz por ver o teu outro bisneto, aquele que herdou o teu nome, a tornar-se num lindo menino e a cuidar da irmã que tem o nome da tua irmã. Avô, a tua história de amor com a avó abriu-me as portas para a escrita, sabias? Até nisso me acompanhaste. Ah, e sim, tenho entregue os impostos da avó como me pediste. E já viste, com certeza, que vai nascer mais um bisneto, filho do teu neto.
Como te prometi no dia do teu funeral, a todos os teus bisnetos falo de ti. Quero que eles saibam que nós, as mães deles, tiveram o melhor avô que se pode querer (ou, como a avó dizia, o melhor advogado de defesa).
Já percebeste também que a família continua unida como sempre foi. Umas discussões aqui, outras ali, mas nada nos afasta uns dos outros, como sempre quiseste. A nossa união mantêm-se por nós, mas também por ti, que foste, com a avó, a razão da existência desta família.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Férias numa Sesimbra invadida pelos franceses


A meio do terceiro período escolar, os meus pais mentiram-me: disseram, a mim e ao meu irmão, que tinham tirado dias de folga para irmos a Sesimbra. A mãe disse que o nosso carro ia para a oficina, e que tínhamos de ir ao aeroporto buscar o seu afilhado, que vinha da Madeira, no carro da tia. Mas a mãe também disse que, quando fossemos para o aeroporto, tínhamos de levar as malas porque a tia tinha de ir às compras e ia comprar muita coisa e as malas não iam lá caber. Eu e o Martim (o meu irmão) acreditamos. Eu e o Martim, que estávamos a fazer as malas, ouvimos a mãe dizer, alto e bom som, que íamos ver um avião por dentro.
Quando chegamos ao aeroporto, a mãe foi entregar as malas e mandou-nos irmos dar uma volta pelo aeroporto. Quando a mãe regressou, já sem as malas, fomos para a sala de espera do aeroporto. A mãe apontou para um avião e disse que era aquele que íamos visitar.
Passado um bocado, fomos para o avião vê-lo por dentro. A mãe disse que tínhamos de fingir que íamos voar e, portanto, tivemos de nos sentar.
Quando o avião estava prestes a levantar voo, entrei em pânico, e estava sempre a dizer: mãe vamos sair! Mãe vamos sair!...
E continuava desesperada, quando a mãe nos diz: Afinal não vamos para Sesimbra, vamos para Paris!
Eu fiquei de boca aberta e cada vez mais em pânico e perguntei: mãe, o piloto é experiente? Ele já fez muitos voos? Este avião é seguro?
E perguntei muitas mais coisas, ao que a mãe respondeu: sim, este avião é o mais seguro. A TAP (Transportes Aéreos de Portugal) é a companhia de aviões mais segura e ainda só teve um acidente com estes aviões mas foi há muito muito tempo.
Mais tranquila, sossegada e com menos pânico, deixei-me ficar sentada. Momentos depois, a mãe disse que o avião ia levantar voo e, na verdade, começou a andar.
- Tamos a andar – disse o Martim.
- Claro que estamos, não querias ficar aqui parado o tempo todo, Martim – murmurei eu, mas nem a mãe nem o Martim ouviram.
- Encostem-se, vamos começar a andar mais depressa e depois vamos voar!
E começamos mesmo a voar. Íamos a uma grande velocidade.
- França, aqui vamos nós! – disse eu – Paris, aqui vamos nós!

Maggie, 9 anos

Esta é a primeira parte da história das últimas férias em família, escrita pela minha filha e que eu, como mãe muito orgulhosa, resolvi mostrar-vos a todos.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Férias e outras loucuras

Estamos a chegar a mais um período de férias, daquelas férias que, nos meus bons tempos de escola, chamava de grandes. Eram quase três meses de descanso. A maior parte desse tempo era passado na casa dos meus avós maternos (os meus avós paternos faleceram antes de eu nascer), e, logo que os meus pais tinham férias, íamos todos para um outro lado.
Também acontecia, outras vezes, irmos com os meus avós para a praia ou para o campo, e, quando começavam as férias dos meus pais, eles iam lá ter para ficarmos todos juntos.
Se a maior parte das vezes o período de férias era passado no mesmo sítio, outras havia em que o carro era o nosso poiso e que fazíamos vários quilómetros por dia. Foi assim que conhecemos o Norte de Portugal. Mais raras eram as viagens para o estrangeiro, mas que também aconteceram. Nova Iorque e Londres foram as duas cidades que conhecemos em família, tal como o sul de Espanha. De quase todas as férias há histórias loucas que ficaram e que me fazem sorrir quando me lembro delas. Principalmente daquelas onde fui a protagonista (não necessariamente de forma positiva…).
Quando eu tinha cinco ou seis anos os meus avós alugaram um apartamento em Lagos para irmos os três para lá. Os meus pais iriam, passado uns dias, lá ter connosco, com a minha irmã do meio que teria ano e meio, dois anos. Fomos de comboio do Barreiro até Lagos e a viagem correu lindamente. Sempre gostei de viajar de comboio, estava com os avós que adorava e com quem estava diariamente e, além disso, tinha o meu Paulinho comigo (num aparte, o Paulinho era um palhaço com o corpo de pano e cheio de serradura. Ainda hoje o tenho apesar de ter um buraco enorme no nariz por onde está a perder a serradura). Tudo se conjugava para que não houvesse problemas. Excepto eu, que, assim que o comboio parou na estação de Lagos e nós saímos da carruagem, abri a goela, desatei a chorar como se me estivessem a matar, agarrada ao meu Paulinho e só me calei quando os meus avós (santos avós!) compraram o bilhete de regresso e entramos no comboio seguinte, que nos ia trazer de regresso ao Barreiro.
Passados uns tempos, talvez no ano seguinte, nova história com os mesmos protagonistas. Eu, os meus avós, um comboio e o Paulinho. E a minha irmã do meio. Apanhamos o comboio para irmos passar o dia a Tróia. Quando saímos na estação de Setúbal eu, por qualquer razão que ainda me escapa, tinha deixado o Paulinho dentro do comboio. Comecei com um berreiro como se não houvesse amanhã e o meu avô, coitado, só teve uma solução. Saltar para o comboio, que já estava em andamento enquanto gritava para a minha avô ir andando connosco para a praia que ele iria lá ter. Felizmente, como empregado da CP (Comboios de Portugal) não tinha de pagar bilhete e pode ir até à estação seguinte, e regressar sem problema (se bem que acredito que o meu avô teria feito exactamente o mesmo se isso implicasse custos para ele).
Se estas duas histórias se passaram quando eu era criança, a terceira história que vos trago passou-se quando eu tinha dezoito ou dezanove anos. Em minha defesa, e antes de me adiantar mais, quero explicar duas coisas. É que nunca gostei de discotecas, detesto sentir fumo nos olhos e adoro dormir. Dito isto, vamos voltar à história. Os meus pais resolveram oferecer, a eles e às três filhas uns dias em Londres. Como é óbvio, conhecer uma cidade como Londres implica levantar cedo, deitar tarde e andar muito. A determinada altura o cansaço instala-se (continuo a tentar defender-me) e tomamos atitudes estranhas (ou não… ou não). Os meus pais e as minhas irmãs quiseram ir conhecer aquela que, na época, era uma das maiores discotecas de Londres. E eu, que queria era ir dormir, resolvi fazer birra. Sim, birra. Daquelas de bater o pé e prender o burro. Com direito a lágrimas e tudo. Eu bem dizia que ia sozinha para o hotel, que me ardiam os olhos, que queria ir dormir mas ninguém me ligou. Fui verdadeiramente forçada a ir à discoteca. Sabem do que me lembro? De mim, a um canto, braços cruzados, olhos a arder, com umas trombas que mais parecia um elefante e furiosa porque os meus pais e as minhas irmãs estavam a divertir-se imenso… e a gozar comigo, pois claro.
As histórias não terminam aqui… há tantas, mas tantas, para contar das nossas férias em família que pode ser que volte a este tema.

domingo, 6 de junho de 2010

Carta ao amor que mora longe

Foto de Linda Veit
Tem dias assim meu amor
Que a alma se pinta de inverno
A distância cala as certezas
Perde-se o sentido de eterno

Tem dias que o sol não devia nascer
Prolongar no dia a severa noite
Pendurar as horas na espera de ti
Saborear a ausência como açoite,

Que me vergasta o querer
Dobra-me o sentir, veste-me de ti,
Despe-me de mim, já nada sou
Do que sonhei e construí.

Vou riscar os dias do calendário
Todos os que sofro da tua ausência
Contar só os que vivo contigo
Porfiá-los por horas de pura demência

Escreve-me na volta desta carta
Fala-me do teu desabrochar em flor
Dá-me ensejos, sorri-me de novo,
Que tem dias assim meu amor…

José Alberto Valente

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Crónicas da realidade num espaço irreal


Foto de Alberto Pérez
Tratando-se a internet dum espaço irreal, ou, pelo menos, dum espaço não palpável, poder-se-ia pensar que a sua realidade nunca se cruzaria com a realidade da vida real.
No entanto a verdade é que, cada vez mais, são duas realidades que se cruzam muitas das vezes sem que os intervenientes tenham essa percepção. É um e-mail de trabalho que se envia para ali, é um amigo ou amiga que se reencontra por culpa das redes sociais, é um blogue que se visita e que, rapidamente, se torna local de peregrinação, é um texto que se coloca e que é mal interpretado por alguns e que leva a uma troca de palavras menos agradáveis. São amizades reais que nascem por força do convívio virtual num espaço irreal e outras que se perdem por se descobrir que aquela pessoa que julgávamos conhecer desde sempre, e de quem até gostávamos, não é quem pensávamos.
Cabem, neste espaço da internet, irreal ou virtual, histórias de todos os géneros, para todos os feitios e com todos os fins. Uns mais felizes que outros, alguns divertidos, outros mais sérios, este aqui com consequências más, aquele dali foi o melhor que podia ter acontecido.
E é engraçado, ou não, perceber que esta realidade já chegou até as mais altas esferas sociais!
Em suma, a realidade da internet não é nada mais, nada menos que uma transposição do que se passa na vida real.
O problema é que, muitas vezes, por se estar a coberto dum nickname e sem que nos vejam, baixa-se a guarda e tem-se atitudes que não se teriam em situações normais. Reside, neste factor, uma boa parte da culpa dos problemas que são conhecidos. Ninguém, no seu perfeito juízo, começa a dar os seus dados pessoais a alguém que tenha conhecido no café da esquina ou os afixa num placard do supermercado. Então o que leva a que dêem esses mesmos dados em salas de chat ou em sites?
É preciso reflectir sobre o que se disponibiliza na internet. Temos, neste espaço irreal, de respeitar a nossa própria privacidade como o faríamos num qualquer espaço real, com pessoas de carne e osso em vez de avatares ou nicknames.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Hoje não quero pensar...

Foto de G Steve

Hoje não quero pensar nas crianças violentadas, física e psicologicamente, por adultos sem escrúpulos que se servem das mais diversas artimanhas para o fazer, tirando-lhes o direito à infância.
Hoje não quero pensar em quem sofre, todos os dias, as amarguras de não saber onde dormir na noite seguinte ou qual será a próxima refeição.
Hoje não quero pensar na crise, na falta de emprego e nas dificuldades que muitas famílias estão a passar, por culpa de poucos que (des)governam o nosso e outros países.
Hoje não quero pensar em xenofobia ou racismo.
Hoje não quero pensar no egoísmo que grassa por ai, na cultura do umbigo, no falem mais de mim do que nos outros.
Hoje não quero pensar na falsidade, na hipocrisia, no fingimento, na falta de respeito pelo outro.
Hoje não quero pensar nos pais, filhos e avós que se separam quando alguém morre e a herança (nem que seja apenas sentimental) fala mais alto que o amor familiar.
Hoje não quero pensar na falta de profissionalismo, nas pessoas que não assumem os seus próprios erros e que sacodem a culpa para cima dos outros.
Hoje não quero pensar na infelicidade que alastra por esse mundo fora.
Hoje, como ontem, e seguramente como amanhã, quero apenas pensar em contrariar esta sociedade que, aos poucos, está a perder a sua humanidade. Vivemos numa sociedade onde os comportamentos acima, aqueles em que eu não quero pensar, se estão a tornar predominantes. Onde começa a ser corriqueiro violar uma criança, onde há cada vez mais indigentes, onde os políticos se governam primeiro a eles e só depois o país. Onde uma pessoa com quarenta e poucos anos é despedida por ser velha, onde a justiça demora a ser aplicada (quando é). Os egoístas, hipócritas, xenófobos e racistas mostram-se, sem pudor porque sabem que, mesmo que sejam apanhados, haverá alguém que os defenda. E, principalmente, porque sabem que haverá sempre uma boa oportunidade de saírem ilesos desse percalço! Famílias que só são unidas enquanto não há problemas, onde se esquece que, gostar de alguém não é concordar com tudo o que ela diz ou faz.
Hoje só quero pensar em ser feliz. É o meu pequeno egoísmo. Ser feliz. Como sou. Porque só sendo feliz poderei continuar a ser quem sou e como sou. E isso não há quem me tire!
Hoje não quero pensar em perder o que de melhor possa ter! Não! Não quero pensar, hoje, amanhã e sempre!

sábado, 29 de maio de 2010

Morre lentamente

foto de Andrey Mikhaylov


Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o
Simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Vida na Internet no Barreiro


Caros amigos e amigas

Depois das apresentações em Lisboa e Porto, chegou a vez da “Vida na Internet” ser apresentada na cidade onde nasci e onde sempre vivi.


Conto com a vossa presença.

Convite

A autora, Magda Luna Pais, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação do livro “Vida na Internet” a ter lugar no Auditório do Convento da Madre Deus Verderena, sito na Rua do Convento, Alto Seixalinho, no Barreiro, no próximo dia 19 de Fevereiro, pelas 20h. Obra e autora serão apresentadas pelo jornalista António Sousa Pereira, director do jornal digital “Rostos on-Line”.


Sinopse

“Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.


Biografia

Magda Luna Pais nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site http://www.luso-poemas.net/ que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com/, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.

Tem também o blog http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/ onde apenas publica textos da sua autoria.


Página da autora na editora

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Felicidade Interna Bruta

Estava a ler o jornal no outro dia e encontrei, por acaso, uma notícia sobre a Felicidade Interna Bruta.
Em determinada altura leram-me as mãos e disseram-me que, pelas linhas das mãos, eu devia ser uma pessoa feliz. E o curioso é que é verdade, é assim que me considero, uma pessoa feliz. Mas nunca tinha pensado qual seria o meu nível de Felicidade Interna Bruta e nem sequer conhecia o conceito.
Se o conceito foi fácil de encontrar, descobrir qual o escalão de felicidade em que me encontro não foi assim tão simples. É que a felicidade não é mensurável, ou, pelo menos, não é comparável. O que para mim pode ser um factor de incremento da felicidade, para outros poderá não o ser, o que, no fim, baralha a análise.
Se assim é, então porque é que me considero uma pessoa feliz? Bem, primeiro porque sou optimista. E os optimistas têm uma forte tendência para serem mais felizes que os pessimistas. É a velha história do copo meio vazio ou meio cheio. Se olharmos para o copo e pensarmos – já está meio vazio – associamos ao fim da bebida. Se olharmos e pensarmos – ainda tenho metade para beber – estamos a aproveitar, ao máximo, o que nos resta para beber. Parece-me óbvio. Poderia estar aqui umas quantas horas a dar exemplos de como a forma de olharmos para os acontecimentos influencia a maneira como os vivemos.
De um autor que desconheço, li, há uns dias, uma frase interessante sobre este mesmo tema – Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Lá está, a forma como olhamos as coisas condiciona-nos.
Outro exemplo do que acabei de dizer apareceu hoje nas notícias. Em Washington está a cair um dos maiores nevões dos últimos 90 anos, sendo que a altura de neve está a aumentar cerca de 5 cm por hora. Apareceram várias pessoas a queixar-se, da neve, de terem de ficar fechados em casa e sabe-se lá mais do quê. Um senhor, de meia-idade, disse apenas, com um grande sorriso, “estamos a assistir à História”.
Além de optimista, gosto de me rir. Primeiro de mim. Sempre que faço algum disparate, ou me acontece alguma coisa ridícula, sou a primeira a rir-me de mim e a contar aos outros para que se possam rir também. Só assim me sinto com legitimidade para me rir dos outros. E rir sabe tão bem!!! Parece um cliché mas é verdade. Faz menos rugas que estar sorumbático, e contagia mais depressa quem está perto de nós.
Importa também concentrarmo-nos no que temos de bom na vida. E acreditem, há sempre alguma de coisa de bom. Se pensarmos primeiro nas coisas boas e depois nas coisas más, elas, as más, vão-nos parecer menos significativas que as boas. É às boas que devemos dar importância e é com elas, as coisas boas da vida, que nos devemos deitar todos os dias. Se assim for, de certeza que, no dia a seguir, acordamos com as coisas boas na memória e com as más relegadas para terceiro ou quarto plano.
Não querendo parecer egoísta, é também importante que eu me sinta bem, que faça o que gosto e que me preocupe em atingir os objectivos a que me propôs (seja em que campo for). Se assim for, sentir-me-ei melhor do que se estiver a fazer algo que não queira ou não goste.
Sem querer fazer um tratado de auto ajuda, ou coisa que o valha, estas são as minhas formas de aumentar a minha Felicidade Interna Bruta. Cabe, a cada um de vós, descobrir qual a forma que deve usar, sendo certo que o importante é ser feliz. Como dizia o saudoso Raul Solnado “façam o favor de ser felizes”



Felicidade Interna Bruta (FIB) ou Gross National Happiness (GNH) é um conceito de desenvolvimento social criado em contrapartida ao Produto Interno Bruto (PIB).
O termo foi criado pelo rei do Butão Jigme Singye Wangchuck, em 1972, em resposta a críticas que afirmavam que a economia do seu país crescia miseravelmente. Esta criação assinalou o seu compromisso de construir uma economia adaptada à cultura do país, baseada nos valores espirituais budistas. Tal como vários outros valores morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta é mais facilmente entendido a partir de comparações e exemplos do que definido especificamente.
Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objectivo primordial o crescimento económico, o conceito de FIB baseia-se no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana surge quando o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento material são simultâneos, complementando-se e reforçando-se mutuamente. Os quatro pilares da FIB são a promoção de um desenvolvimento socioeconómico sustentável e igualitário, a preservação e a promoção dos valores culturais, a conservação do meio ambiente natural e o estabelecimento de uma boa governação. (retirado da Wikipédia)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Vida na Internet e Traços do Destino no Porto


As autoras, Magda Luna Pais e Vera Sousa Silva, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação dos livros “Vida na Internet” e “Traços do Destino” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 30 de Janeiro, pelas 16:00.

Obras e autoras serão apresentadas pelo Dr. Ivo Dias Sousa e pelo escritor José Ilídio Torres, respectivamente.

Vida na Internet
(Ensaio)

Sinopse: “Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.

Traços do Destino
(Contos)

Sinopse: Vera Sousa e Silva relata-nos, em linguagem fácil mas profundamente humana, as emoções com que constrói cada uma das suas personagens e lhes empresta um cunho de autenticidade. (do Prefácio, por Vítor Cintra)

Sobre as Autoras:

Magda Luna Pais/Pedra Filosofal nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site www.luso-poemas.net que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.

Vera Sousa Silva nasceu em Lisboa, a 27 de Janeiro de 1974. Em 2007 lançou o seu primeiro livro de poesia "Pétalas Soltas" pela Corpos Editora e, em Fevereiro de 2009, "Amar-te em Silêncio", pela Edium Editores. Em 2007 participou na antologia de poesia do site Luso-Poemas no género poesia e, em 2008, com prosa poética. Escreve com assiduidade no seu blog (www.prosas-e-versos .blogspot.com) e no site de poesia: www.luso-poemas.net. No mesmo site participou em alguns concursos, vencendo em Dezembro de 2006 o Concurso “Poema de Natal” e em Junho de 2008 o “Concurso do Vinho”, ambos na vertente de poesia, o que, desde 2006, lhe valeu o direito a condição de Membro de Honra.